|
O álbum Banho de Sopa (Kalimba Music), do trompetista, compositor e arranjador Barrosinho, traz uma música iluminada que revigora e alenta. Como já havia ficado evidente em seu primeiro disco, Sopro do Espírito (1998), há muito de purificador no trabalho deste brilhante músico carioca, sempre marcado por uma riqueza melódica e um peculiar suingue. Características, aliás, adquiridas nas gafieiras onde Barrosinho ensaiou os primeiros passos rumo aos míticos Grupo Abolição, liderado pelo pianista Dom Salvador; e a Banda Black Rio, da qual foi um dos fundadores ao lado do saudoso Oderban Magalhães.
Já na faixa de abertura, Santo Supremo, de autoria do próprio Barrosinho, temos sua tão acentuada dubiedade rítmica. É uma composição ao mesmo tempo dançante e convidativa à introspecção. O contrabaixo encorpado de Carlos Pontual dá o norte, enquanto o líder da banda divide-se entre o trompete e a percussão, ao lado do também percussionista Robertinho Silva. O competente respaldo sonoro para as viagens melódicas de Barrosinho fica por conta da pianista Ana Azevedo e do baterista Cacá Colon. A faixa Na Baixa do Sapateiro (Bahia) insere a canção de Ary Barroso no universo samba-jazzístico, trazendo belos solos intuitivos. Já em Bom Dia Johnny Alf, Barrosinho homenageia o precursor da bossa nova com uma peça alegre que soa como se a atmosfera setentista do selo independente nova-iorquino Strata-East, famoso por seu afro-jazz engajado, fosse tomada de um surto de brasilidade, dado o ótimo e sutil dueto de cuíca e trompete. O resultado em forma de choro da parceria entre Pixinguinha e o poeta Vinicius de Moraes sofre uma tentativa de desconstrução em Lamentos; algo impossível de se completar totalmente devido ao fino entrosamento melódico e rítmico dessa composição.
Este álbum, que não deixa nada a dever aos dois anteriores, tem também composições tristemente belas, a exemplo da faixa-título e de Corina, que guardam um parentesco com a
|

|