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Como fez no primeiro e tardio disco de estréia de Barrosinho (O sopro do Espírito), lançado em 2001,o produtor Roberto de Moura, através do recém-criado selo Kalimba, acaba de resgatar outro ícone da música instrumental brasileira. Apesar de ter tocado com Cannonbal Adderley, Herbie Man, Clifford Jordan e Claus Ogerman, o saxofonista e flautista carioca Íon Muniz nunca havia gravado um disco solo, registrando suas composições. O resultado leva a chancela de qualidade dos poucos e ricos projetos da Kalimba, que tem como característica gravar grandes expoentes da música instrumental, muitos deles esquecidos por um país sem memória.
Em "Um eterno amor" Muniz mostra 11 composições criadas em mais de 30 anos de carreira. Acompanhado por Jessé Sadoc (trombone), Jessé Sadoc Jr (trompete), Bruce Henry e Edson Lobo (baixo), Dario Galante (piano), Lula Galvão (violão) e Jorge Continentino (sax-barítono), entre outros, Muniz presta as contas com seu público. "Nunca tive a secura de fazer um álbum próprio e hoje vejo que se fizesse um disco antes desse possivelmente não gostaria. Parece que fiquei a vida inteira treinando para chegar no ponto", diz.
São composições que mostram influências do jazz moderno, criado por Charlie Parker e Cia. na primeira dos anos 40, nos bares esfumaçados nova-iorquinos, com doses cavalares de ritmos nacionais e pitadas de música clássica. É fácil entender o porquê da mistura. A convite de Cannonbal Adderley, um dos maiores saxes-altos da história do jazz, Muniz se mudou para NY e ficou oito anos (1975-1983) convivendo com Reggie Workman (baixista de John Coltrane), Jimmy Cobb, (baterista de Miles Davis) e o saxofonista Michael Brecker. Poucos americanos esperavam ver um brasileiro tocando com tanta velocidade, boas idéias melódicas, senso rítmico e noções de improvisação. Muniz participou dos discos dos amigos, fez shows, apurou a técnica ouvindo e gravando com a nata dos instrumentistas. No entanto, levava com ele ainda a rica bagagem de quem recebeu o melhor de professores como Rogério Duprat, Guerra Peixe
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